Como fazer redação sobre feminicídio: estrutura e exemplos

Descubra como fazer redação sobre feminicídio com estrutura em 4 passos, repertório sociocultural selecionado e exemplos prontos de introdução, desenvolvimento e proposta de intervenção. Treine o tema com a correção de redação da Corrija-me.

Conteúdo produzido por Corrija-me - Correção de Redação Em Temas

Entender como fazer redação sobre feminicídio é o primeiro passo para não travar diante de um tema tão delicado. A violência de gênero aparece com força nas propostas do Enem e dos vestibulares, afinal o Brasil segue entre os países que mais matam mulheres no mundo. Só que muitos estudantes se perdem entre a indignação e a argumentação, e acabam escrevendo um desabafo em vez de um texto dissertativo-argumentativo.

A boa notícia é que existe caminho claro para escrever bem sobre o assunto. Com estrutura definida, repertório sociocultural bem escolhido e uma proposta de intervenção viável, você constrói um texto sólido. Por isso, este guia mostra o passo a passo, traz exemplos práticos de parágrafos e indica como a correção de redação pode acelerar sua evolução na redação Enem.

O COMBATE AO FEMINICÍDIO E AOS DISCURSOS DE ÓDIO CONTRA A MULHER NO BRASIL

O tema completo da proposta

Antes de escrever, leia a proposta na íntegra. Você pode acessar e imprimir o tema completo com todos os textos motivadores aqui.

O COMBATE AO FEMINICÍDIO E AOS DISCURSOS DE ÓDIO CONTRA A MULHER NO BRASIL

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema: O combate ao feminicídio e aos discursos de ódio contra a mulher no Brasil, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

O feminicídio é definido no Código Penal brasileiro como uma forma qualificada de homicídio, caracterizada pelo assassinato de uma mulher em razão de sua condição de gênero. Conforme previsto no artigo 121, §2º, inciso VI, considera-se feminicídio quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou ocorre por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
A legislação, alterada pela Lei nº 13.104/2015, reconhece que esse tipo de crime está ligado a desigualdades estruturais e à violência de gênero, sendo classificado como hediondo, o que implica penas mais severas. Dessa forma, o feminicídio não se restringe ao ato de matar, mas evidencia um contexto de opressão e violência direcionado às mulheres.

Fonte: BRASIL. Código Penal (Art. 121, §2º, VI). Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015.

TEXTO 2

O crescimento dos discursos misóginos nas redes sociais tem se tornado um fenômeno preocupante no cenário contemporâneo. Impulsionados pela lógica de engajamento das plataformas, conteúdos que reforçam estereótipos de gênero e promovem a inferiorização da mulher têm ganhado visibilidade, especialmente em comunidades virtuais fechadas. Nesses espaços, proliferam narrativas que defendem a ideia de superioridade masculina e a necessidade de controle sobre o comportamento feminino, frequentemente associadas a movimentos como a chamada “machosfera” ou grupos “red pill”.
Esses grupos difundem discursos que naturalizam a submissão da mulher ao homem, reinterpretando relações afetivas e sociais a partir de uma lógica hierárquica e desigual. Muitas vezes, tais ideias são apresentadas sob a aparência de aconselhamento ou desenvolvimento pessoal, o que contribui para sua disseminação entre jovens. Como consequência, observa-se a normalização de práticas discriminatórias e o enfraquecimento de avanços históricos relacionados à igualdade de gênero. Nesse contexto, o ambiente digital se torna um espaço de reprodução e ampliação da misoginia, evidenciando os desafios de enfrentamento desse tipo de violência simbólica na sociedade atual.

Fonte: SAFERNET BRASIL. Relatórios sobre violência de gênero e discurso de ódio na internet.; BBC News Brasil.

TEXTO 3

O assassinato de Eloá Pimentel, ocorrido em 2008, em Santo André (SP), é um dos casos mais emblemáticos de violência contra a mulher no Brasil. A jovem foi mantida em cárcere privado por mais de 100 horas por seu ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento. O episódio teve ampla repercussão nacional, sendo acompanhado em tempo real por diferentes emissoras de televisão, o que também gerou críticas quanto à espetacularização da violência. Ao final do sequestro, Eloá foi baleada e não resistiu aos ferimentos.
Embora o crime tenha ocorrido antes da tipificação legal do feminicídio, instituída em 2015, o caso é frequentemente associado a esse tipo de violência, pois envolve o assassinato de uma mulher motivado por relações de posse, controle e desigualdade de gênero. A repercussão do episódio contribuiu para ampliar o debate público sobre a necessidade de políticas de proteção às mulheres, além de evidenciar falhas na atuação das autoridades diante de situações de violência doméstica.

Fonte: G1. Caso Eloá: relembre o sequestro que chocou o Brasil. Disponível em: https://g1.globo.com
BBC News Brasil

TEXTO 4

TEXTO 4 - O COMBATE AO FEMINICÍDIO E AOS DISCURSOS DE ÓDIO CONTRA A MULHER NO BRASIL

Fonte:https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/brasil-tem-novo-recorde-de-casos-de-feminicidios-e-estupros-diz-fBSP1

Como fazer redação sobre feminicídio sem fugir do tema

O recorte oficial pede duas frentes de análise. De um lado, o feminicídio propriamente dito, definido pela Lei nº 13.104/2015 como homicídio qualificado praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino. De outro, os discursos de ódio que preparam o terreno para esse crime, sobretudo no ambiente digital.

Quem escreve apenas sobre violência doméstica tangencia a proposta. Da mesma forma, quem fala só de misoginia na internet deixa metade do tema de fora. Na prática, o texto precisa mostrar a ligação entre as duas coisas. A misoginia que circula em comunidades fechadas, nos grupos chamados de “machosfera” ou “red pill”, naturaliza a ideia de posse sobre o corpo feminino. A partir daí, até a agressão física, existe uma escala contínua, e é essa escala que sua argumentação deve revelar. Se quiser aprofundar o repertório antes de escrever, vale conferir também nosso conteúdo sobre violência contra a mulher e como abordar esse assunto no texto.

Como fazer redação sobre feminicídio em 4 passos

A estrutura abaixo funciona para o Enem e também para bancas como Fuvest, Unicamp e Vunesp. Siga a ordem.

  1. Introdução com repertório. Comece por um dado histórico, uma obra ou um conceito. Em seguida, apresente o problema, para, na sequência, já indicar a tese com as duas causas que você vai desenvolver.
  2. Primeiro desenvolvimento sobre a raiz cultural. Trate do patriarcado, da educação desigual e da naturalização do controle masculino. Aqui entram autoras como Simone de Beauvoir e Heleieth Saffioti.
  3. Segundo desenvolvimento sobre o ambiente digital. Mostre como as redes sociais amplificam discursos de ódio contra a mulher e como a lógica de engajamento premia conteúdos misóginos.
  4. Conclusão com proposta de intervenção completa. Traga agente, ação, meio, finalidade e detalhamento, sempre respeitando os direitos humanos.

Na prática, muita gente perde ponto justamente no último passo. Se esse é o seu caso, dá uma olhada nos três modelos de proposta de intervenção que funcionam na prática e adapte um deles ao tema.

Repertório sociocultural para a redação sobre feminicídio

Boa parte de saber como fazer redação sobre feminicídio está em escolher bem as referências. Afinal, repertório genérico não sustenta um tema pesado como esse. Por isso, separei cinco opções seguras que dialogam diretamente com a proposta.

  1. Simone de Beauvoir. Em “O Segundo Sexo”, a filósofa afirma que ninguém nasce mulher, mas torna-se mulher. A frase ajuda a defender que a violência de gênero é construída socialmente, e não natural.
  2. Heleieth Saffioti. A socióloga brasileira mostra que a violência contra a mulher não é ato isolado, e sim reflexo de uma estrutura que a subordina.
  3. Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Marco legal importante, ainda assim insuficiente diante da subnotificação e da falta de estrutura das delegacias especializadas.
  4. Caso Eloá Pimentel. O crime de 2008, acompanhado ao vivo pela televisão, escancarou tanto a lógica de posse quanto a espetacularização da violência pela mídia.
  5. Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A publicação reúne os números oficiais de feminicídios no país e serve para dar concretude ao seu argumento.

Para ampliar esse banco de referências, você encontra um método completo em nosso texto sobre como aumentar o repertório sociocultural para a redação. E vale lembrar que o Enem já cobrou um tema próximo em 2023, quando pediu reflexão sobre o trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil.

Citações para redação

Exemplos prontos de parágrafos sobre feminicídio

Teoria sem modelo rende pouco. Quem já entendeu como fazer redação sobre feminicídio na teoria precisa ver a aplicação. Então, confira o nosso modelo para te guiar a fazer o certo:

Introdução

Ao longo da história, as mulheres foram submetidas a estruturas sociais e culturais que reforçaram sua posição de inferioridade em relação aos homens, perpetuadas de geração em geração. Embora o movimento feminista tenha conquistado avanços importantes no enfrentamento à violência de gênero e à submissão feminina, o Brasil ainda convive com um cenário preocupante, agravado pela disseminação de discursos de ódio contra as mulheres nas redes sociais. Nesse contexto, o ambiente virtual contribui para reforçar práticas e mentalidades que dificultam o combate ao feminicídio. Assim, torna-se necessário analisar tanto as raízes históricas dessa violência quanto sua perpetuação no espaço digital.

Desenvolvimento

De início, é premente abordar como a misoginia possui raízes profundas na formação histórica da sociedade brasileira. Sob o legado da colonização europeia, consolidou-se uma estrutura social marcada pela superioridade masculina em detrimento da feminina. Nas sociedades coloniais, o homem ocupava a posição de patriarca e exercia amplo poder sobre a mulher, frequentemente tratada como figura subordinada e submetida à autoridade masculina. Essa lógica permaneceu arraigada na cultura nacional e, apesar de avanços importantes, como a ampliação dos direitos políticos femininos e a criação de leis voltadas à igualdade de gênero, não foi plenamente superada. Isso ocorre porque a ideia de superioridade masculina ainda se reproduz em diferentes esferas sociais, naturalizando relações de dominação. Como consequência, muitas mulheres continuam tendo seus corpos e escolhas tratados como extensões da vontade masculina, o que contribui para a banalização da violência de gênero e para a perpetuação de práticas que podem culminar em agressões graves e até no feminicídio.

Outrossim, observa-se que o ambiente virtual se tornou um espaço particularmente hostil às mulheres. A popularização do termo red pill, impulsionada pelas redes sociais e por grupos masculinistas, contribuiu para a disseminação de discursos marcados por ressentimento, misoginia e hostilidade ao gênero feminino. Esses ideais encontram força em bolhas digitais que aproximam indivíduos com pensamentos semelhantes e ampliam a circulação de conteúdos violentos e discriminatórios. Como consequência, determinadas comunidades virtuais passam a normalizar a desumanização das mulheres e a relativizar diferentes formas de violência de gênero, criando um ambiente favorável à perpetuação de práticas misóginas que, em casos extremos, podem contribuir para a banalização do feminicídio.

Proposta de intervenção

Portanto, é nítido como o problema precisa ser combatido. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação, responsável pelos projetos educacionais em âmbito nacional, em parceria com as secretarias estaduais, promover o combate ao feminicídio e aos discursos de ódio contra a mulher no Brasil por meio de programas permanentes de educação em direitos humanos nas escolas de ensino médio, com rodas de conversa e produção de conteúdo pelos próprios estudantes, a fim de desconstruir estereótipos de gênero desde a formação básica. Além disso, é crucial que haja uma melhor regulação das redes sociais para coibir a disseminação de discursos intolerantes que ataquem a integridade das mulheres. Com essas medidas, espera-se um futuro mais seguro e igual.

Aula em vídeo sobre como fazer redação sobre feminicídio

Nossa equipe simulou esse tema em uma aula ao vivo do canal, e o resultado virou um roteiro prático de como fazer redação sobre feminicídio. Vale assistir com o caderno aberto, porque o professor destrincha tese, argumentos e intervenção em tempo real.

Evolua na redação Enem com a correção de redação da Corrija-me

Saber como fazer redação sobre feminicídio ajuda bastante, só que ninguém melhora sem escrever e receber retorno. Na Corrija-me, sua redação é avaliada por professores especializados, sem uso de inteligência artificial, com devolutiva em até 24 horas úteis. Você ainda conversa diretamente com o corretor para tirar dúvidas sobre cada competência.

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