A diferença entre informar e argumentar na redação do Enem

Muitos estudantes apresentam informações relevantes, mas não conseguem transformá-las em argumentos. Neste artigo, você aprenderá a diferença entre informar e argumentar na redação do Enem, verá exemplos práticos e descobrirá técnicas para desenvolver um texto mais persuasivo e bem avaliado pelos corretores.

Conteúdo produzido por Corrija-me - Correção de Redação Em Redação Dissertativa

Muitos candidatos perdem pontos preciosos por não compreenderem a diferença entre informar e argumentar logo na introdução do texto dissertativo-argumentativo. Ano após ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) demanda dos estudantes uma postura crítica diante dos problemas sociais do Brasil. 

Acontece que muitos estudantes dominam o tema proposto, conhecem dados relevantes e apresentam informações corretas, mas acabam não ultrapassando a faixa dos 800 ou 900 pontos porque não conseguem transformar essas informações em argumentos. Eles confundem a mera exposição de fatos com a verdadeira defesa de um ponto de vista. 

Se o seu objetivo é alcançar a excelência na Competência 3 do Enem, que avalia a sua capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista, este artigo é para você. Vamos explicar a diferença entre informar e argumentar, descobrir os erros mais comuns dos candidatos e aprender como desenvolver argumentos:

O que significa informar na redação do Enem? 

Em primeiro lugar, vamos ao conceito da palavra “informar”. Informar é o ato de expor dados, fatos, conceitos, estatísticas ou acontecimentos de maneira neutra e descritiva. Quando você traz para o seu texto um repertório sociocultural legitimado, por exemplo, uma alusão histórica, uma lei da Constituição Federal ou um dado do IBGE, você está trazendo informação.

A informação é a base de qualquer bom texto; ela confere autoridade e prova que você possui bagagem cultural. Contudo, o grande perigo está em parar por aí. Muitos estudantes acreditam que, ao encherem as linhas do desenvolvimento com dados e citações bonitas, estão construindo uma redação forte. Na verdade, estão apenas criando um texto expositivo.

Um texto meramente informativo diz ao corretor: “Olha, eu sei que esse problema existe e sei esses dados sobre ele”. Mas o Enem não quer saber apenas o que você sabe; o exame quer ver o que você pensa e como você propõe solucionar o problema.

Se a informação não for analisada e relacionada à tese defendida, ela funciona apenas como uma exposição de fatos.

Por isso, compreender a diferença entre informar e argumentar é essencial para construir um texto mais elaborado.

O que significa argumentar na redação do Enem? 

Argumentar, por outro lado, é cruzar a linha da neutralidade. É o ato de analisar a informação, contextualizá-la e utilizá-la como ferramenta para provar uma tese. Enquanto a informação é o “quê”, o argumento é o “porquê” e o “para quê”.

Na redação do Enem, argumentar significa assumir um posicionamento. Em outras palavras, quer dizer mostrar as causas, as consequências e a negligência (seja estatal, midiática ou social) por trás do tema proposto. Quando você argumenta, você direciona o olhar do leitor para uma conclusão lógica: a de que a sua tese está correta e que medidas precisam ser tomadas.

Um parágrafo argumentativo não se limita a dizer que a violência doméstica aumentou; ele explica que esse aumento é fruto de uma herança patriarcal enraizada e da insuficiência de fiscalização das leis protetivas, o que perpetua o sentimento de impunidade.

Entende a diferença? Para melhor compreensão, você precisa responder às seguintes perguntas:

  • O que essa informação demonstra?
  • Qual é a consequência desse fato?
  • Como isso se relaciona com minha tese?
  • Por que esse dado é importante para a discussão?

Exemplos práticos que demonstram a diferença entre informar e argumentar

Para que a diferença entre informar e argumentar fique clara, vamos analisar como o mesmo repertório pode ser utilizado de duas formas completamente distintas dentro de um parágrafo de desenvolvimento.

Exemplo 1: texto majoritariamente informativo (O que evitar)

“Em primeiro lugar, a Constituição Federal de 1988 garante que todos os cidadãos são iguais e têm direito à saúde e à educação. No entanto, no Brasil atual, muitas pessoas que vivem em situação de rua não têm acesso a esses direitos básicos e sofrem diariamente. Isso mostra que a lei não é cumprida para todos na sociedade brasileira.”

Podemos dizer, portanto, que o parágrafo acima é correto gramaticalmente, mas é fraco, pois ele só constata um fato (a Constituição garante direitos, mas as pessoas de rua não os têm). O autor não explica as raízes do problema, não problematiza a omissão do Estado e não aprofunda o debate. É uma exposição de informações.

Exemplo 2: texto argumentativo (O que fazer)

“Em primeiro lugar, convém destacar a ineficácia estatal como propulsora da marginalização dos indivíduos em situação de rua. Embora a Constituição Federal de 1988 assegure, em seu artigo 6º, o direito à saúde e à assistência aos desamparados, a realidade prática diverge do texto constitucional devido à insuficiência de políticas públicas direcionadas a essa parcela populacional. Essa omissão governamental não apenas perpetua a invisibilidade social desses cidadãos, mas também valida uma estrutura de exclusão que nega a dignidade humana. Desse modo, a passividade do Poder Público atua como um vetor de manutenção do problema.”

Repare como a estrutura mudou. A informação (a Constituição) ainda está lá, mas agora ela serve como um trampolim para o argumento. O autor usa termos valorativos (ineficácia estatal, omissão governamental, invisibilidade social, vetor de manutenção) para analisar criticamente a situação. Existe uma tese clara sendo defendida aqui.

Como treinar a argumentação?

Existem algumas estratégias que podem ajudar:

  • Pergunte “e daí?”: sempre que apresentar uma informação, pergunte a si mesmo: “O que isso prova?”. A resposta geralmente será o início da sua argumentação.
  • Explique causas e consequências: é possível aprofundar todo argumento por meio da análise de suas origens e impactos.
  • Relacione o argumento à tese: cada parágrafo deve contribuir para comprovar a ideia central defendida na introdução.
  • Evite listas de informações: acumular dados, exemplos e repertórios sem análise enfraquece o texto.
  • Leia redações nota 1000: observar como candidatos aprovados desenvolvem seus argumentos é uma das formas mais eficientes de aprender.

Estude com a Corrija-me e entenda na prática a diferença entre informar e argumentar

Estude com a Corrija-me e entenda na prática a diferença entre informar e argumentar

Por fim, entender a diferença entre informar e argumentar é um passo fundamental para evoluir na redação do Enem. Informar significa apresentar fatos, dados ou exemplos. Argumentar, por outro lado, envolve interpretar essas informações, relacioná-las à tese e demonstrar sua relevância para a discussão. 

Se você sente que sua redação apresenta informações relevantes, mas ainda falta profundidade argumentativa, a Corrija-me pode ajudar. Por meio de correções e feedbacks personalizados, você aprende a desenvolver sua argumentação, conectar melhor suas ideias e atender aos critérios avaliados pelo Enem. 

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