Cinco repertórios da Copa do Mundo para diferentes temas de redação

A Copa do Mundo vai muito além do futebol e pode servir como fonte de repertórios socioculturais para a redação do ENEM. Neste artigo, apresentamos cinco exemplos que conectam o torneio a diversos eixos temáticos. Saiba mais!

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Os repertórios da Copa do Mundo podem ser muito mais úteis para a redação do Enem do que muitos estudantes imaginam. Enquanto milhões de pessoas acompanham os jogos, analisam resultados e torcem por suas seleções favoritas, quem está se preparando para os vestibulares tem a oportunidade de observar o evento por outra perspectiva: a de uma fonte rica de argumentos, exemplos e reflexões sobre a sociedade. 

Para se destacar na banca avaliadora, é preciso demonstrar legitimidade e pertinência com o tema proposto. Quando bem articulados, os fatos históricos e os desdobramentos atuais do campeonato transformam-se em argumentos densos e difíceis de contestar. 

Mas afinal, como transformar um evento esportivo em repertório sociocultural produtivo? Vamos apresentar cinco repertórios da Copa do Mundo que podem ser utilizados em diferentes temas de redação. Veja a seguir: 

1) Direitos Humanos e copa do mundo

Infelizmente, o ecossistema do futebol frequentemente espelha os problemas sociais fora de campo, sendo o preconceito uma das mais persistentes. A luta contra o racismo e a xenofobia no esporte, intensificada por episódios de repercussão global envolvendo atletas brasileiros como Vinícius Júnior nos anos que antecederam o torneio atual,  trouxe uma nova camada de conscientização para esta edição da Copa.

Ao abordar temas como racismo estrutural, violência verbal ou os limites da liberdade de expressão, o engajamento dos atletas e as punições aplicadas pelas entidades esportivas tornam-se essenciais. É possível conectar essa realidade ao conceito de “Processo Civilizador” do sociólogo Norbert Elias, que explica como o esporte moderno foi criado para canalizar e controlar as pulsões agressivas da sociedade.

Quando o preconceito rompe as regras do jogo e invade as arquibancadas, demonstra-se que as instituições sociais falharam em sua função educacional. Esse gancho é, portanto, extremamente produtivo para justificar a necessidade de propostas de intervenção focadas em leis e campanhas educativas permanentes nas mídias e escolas.

2) Soft power e relações internacionais

Entre os repertórios da Copa do Mundo, pode-se destacar também que, pela primeira vez na história, o torneio é sediado conjuntamente por três nações: Estados Unidos, México e Canadá. Essa configuração não é por acaso e serve como uma excelente alusão para temas voltados à globalização, diplomacia e cooperação internacional.

Na ciência política, o conceito de soft power (poder brando), criado por Joseph Nye, define a capacidade de um Estado de influenciar o comportamento de outros por meio da atração cultural e ideológica, em vez da coerção militar ou econômica (hard power). A organização conjunta do torneio funciona exatamente como essa ferramenta.

A união dos três países do bloco norte-americano demonstra como pode-se utilizar grandes eventos para suavizar tensões históricas, como por exemplo as complexas barreiras migratórias e alfandegárias entre EUA e México. Isso promove, portanto, uma imagem de integração e diálogo multicultural. 

Se, por exemplo, a proposta da redação solicitar uma discussão sobre o papel das alianças globais diante de crises ou sobre o respeito à diversidade entre as nações, a infraestrutura compartilhada deste ano é um bom argumento. 

3) Inclusão social e o “Apartheid Digital”

Embora o campeonato seja celebrado universalmente, o acesso a ele revela as profundas desigualdades econômicas que fragmentam o mundo contemporâneo. Enquanto uma parcela privilegiada da população global desfruta da hiperconectividade e acompanha cada lance em tempo real pelo smartphone, milhões de cidadãos marginalizados sofrem com o chamado “apartheid digital”. Em outras palavras, estão privados até mesmo do sinal de TV aberta para assistir ao esporte.

Um exemplo de fundamentação para este tema é o conceito de “Cidadanias Mutiladas”, desenvolvido pelo geógrafo brasileiro Milton Santos em sua obra “O Espaço da Cidadania”. Neste conceito, ele discute como o consumo e o dinheiro substituem os direitos fundamentais, gerando cidadãos de “classes diferentes”. 

Esse contraste valida, portanto, a argumentação de que o lazer e a informação de interesse público estão se tornando mercadorias exclusivas. Isso viola, portanto, o princípio de igualdade de acesso garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

4) Tecnologia e privacidade de dados 

Entre os repertórios da copa do mundo, destaca-se também a tecnologia. A transformação digital alterou a experiência dos megaeventos. Além disso, o aparato técnico implantado nos estádios atuais fornece argumentos ricos para temas associados à segurança digital, inteligência artificial e privacidade. Nas cidades-sede dos Estados Unidos, Canadá e México, há o uso massivo de scanners de reconhecimento facial nas catracas, drones e cães robóticos com câmeras.

Um exemplo de repertório para esse eixo é o conceito de “Sociedade do Controle”, proposto pelo filósofo francês Gilles Deleuze em seu ensaio “Post-scriptum sobre as Sociedades de Controle”. Deleuze teoriza que, diferentemente das antigas sociedades disciplinares (confinadas em escolas ou prisões), o controle social contemporâneo se exerce em espaço aberto, de forma contínua e imperceptível, por meio do rastreamento digital e de algoritmos.

5) Meio ambiente e Copa do Mundo

Esse eixo temático é presença constante nas apostas de redação, e os repertórios da Copa do Mundo encaixam-se perfeitamente nessa discussão. Com o torneio de 2026 distribuído por distâncias continentais em uma escala sem precedentes, o debate sobre a sustentabilidade e a pegada de carbono também precisa ser considerado. 

Deslocar delegações de 48 países e milhões de torcedores por milhares de quilômetros requer um uso massivo de transporte aéreo. Isso gera, portanto, uma quantidade alarmante de gases poluentes. Por outro lado, o comitê organizador e a FIFA implementaram diretrizes, como por exemplo o uso de arenas com certificação verde, fontes de energia renovável e gerenciamento de resíduos com meta de lixo zero.

Conheça os repertórios da Copa do Mundo e prepare-se para escrever sobre diferentes temas de redação!

Conheça os repertórios da Copa do Mundo e prepare-se para escrever sobre diferentes temas de redação!

Os repertórios da Copa do Mundo mostram que grandes eventos esportivos podem ser excelentes fontes de conhecimento para a redação do Enem. 

Vale destacar, portanto, que é fundamental desenvolver a capacidade de interpretar acontecimentos e relacioná-los aos desafios da sociedade. É justamente essa habilidade que diferencia redações comuns de textos realmente bem fundamentados.

Na Corrija-me, você aprende a transformar acontecimentos do cotidiano em repertórios produtivos para o Enem. Sendo assim, por meio de correções detalhadas, orientação especializada e conteúdos voltados para argumentação e repertório sociocultural, a plataforma ajuda você a escrever com mais segurança, criticidade e estratégia rumo à nota 1000.

Estude conosco e prepare-se para escrever sobre diferentes temas de redação! 

Leia mais: Como o ano de política e Copa pode influenciar no tema de redação do Enem

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