3 redações do Enem que foram destaques nos últimos anos e tiraram nota 1000

Confira três exemplos de redações do Enem nota 1000 dos anos recentes, nossa análise sobre os principais elementos que garantiram a nota máxima e saiba como esses modelos podem servir de referência para quem deseja melhorar a escrita.

Conteúdo produzido por Corrija-me - Correção de Redação Em Bancas e suas Redações

As redações do Enem nota 1000 são referência obrigatória para quem busca entender como construir um texto de excelência no exame. Ao analisar as melhores produções, é possível identificar padrões de repertório sociocultural, argumentação e proposta de intervenção bem estruturada, elementos que se repetem nas redações do Enem nota 1000 ao longo dos anos.

Nesse cenário, ao longo deste artigo, selecionamos 3 redações do Enem nota 1000 que foram destaque nos últimos anos. Vamos explicar o que fez cada uma atingir a nota máxima e descobrir como aplicar esses aprendizados na sua própria escrita. Confira e saiba mais:

1. Lucas Rodrigues (2025) – O envelhecimento na sociedade brasileira

“O livro “A casa dos budas ditosos”, escrito pelo baiano João Ubaldo Ribeiro, conta a história de CLB, uma idosa que, enfrentando estereótipos associados à velhice, mantém-se ativa e se recusa a encarar a senescência como fim. Para além da literatura, contudo, são outras as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira: cada vez mais há idosos doentes, invisibilizados e inativos. Nesse sentido, estabelece-se um cenário hostil, sustentado pelo Estado e pelas empresas, que prejudica a qualidade de vida e acelera a morte. À vista disso, tanto o descaso estatal quanto a má conduta do setor privado impulsionam esse problema. 

Sob essa lógica, convém destacar a negligência do Estado como agravante dessa problemática. Isso ocorre, porque tal instituição não oferece políticas públicas em quantidade e eficiência suficientes para os idosos, comprometendo a sua qualidade de vida. Acerca disso, Achille Mbembe, filósofo camaronês, afirma, a partir de seu conceito de “Necropolítica”, que o Estado decide quem vive e quem é destinado a um projeto de morte. Nesse rumo, percebe-se que a ideia do filósofo é autêntica e aplicável ao contexto do envelhecimento na sociedade brasileira, uma vez que, devido à composição hegemônica do corpo político (deputados e senadores majoritariamente distantes dos 65 anos, isto é, alheios à realidade da velhice), são escassas as políticas públicas, como a garantia de equipes especializadas em geriatria nas UBS, destinados a esse público. Em efeito, sem, por exemplo, enfermeiros e médicos em quantidade e capacitação adequados nos sistemas públicos de saúde, os idosos, cada vez mais, sobrevivem sem condições dignas de vida. Dessa forma, fica claro que a parcialidade na distribuição de qualidade de vida, cometida pelo Estado e criticada por Mbembe, é nociva ao bom envelhecimento dos cidadãos do Brasil. 

Outrossim, cabe analisar a má conduta das empresas como fortalecedora dessa questão. Afirma-se isso, pois grande parte do setor privado não se preocupa com a senescência dos funcionários, acelerando a sua morte. Sob tal contexto, Jim Collins, empresário norte-americano, afirma que a mentalidade empresarial é egoísta e gananciosa. Nesse viés, a afirmação de Collins é verdadeira, já que, pela motivação gananciosa de maximizar seus lucros, muitas empresas não garantem uma vida ativa aos seus colaboradores idosos, deixando, por exemplo, de investir em programas como o “Gympass” (um plano que dá acesso a diversas academias e atividades esportivas). Por conseguinte, esses cidadãos, muitos sobrecarregados com jornadas exaustivas de trabalho, acumulam comorbidades, a exemplo da obesidade ou doenças psíquicas, como a ansiedade, o que pode acelerar a sua morte. Dessa maneira, é evidente que a conduta egoísta das empresas, exposta por Collins, prejudica o envelhecimento dos brasileiros. 

Portanto, devem ser resolvidas a negligência estatal e a má conduta do setor privado enquanto obstáculos para o envelhecimento de qualidade no Brasil. Com essa finalidade, é preciso que o Estado, principal idealizador e aplicador das políticas públicas do país, por meio de parceria com o setor privado, crie políticas públicas mais assertivas e direcionadas à terceira idade, com foco em saúde e atividade física, a fim de garantir um envelhecimento ativo e, consequentemente, mitigar esse problema. Assim, a perspectiva acerca da resistência na sociedade brasileira se aproximará da perspectiva de CLB.”

Análise da redação

A redação de Lucas Rodrigues, referente ao Enem 2025, teve como tema as “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. O texto se destaca pelo uso sofisticado de repertório cultural e filosófico para discutir a negligência com a população idosa no Brasil.

Logo na introdução, o candidato utiliza a obra “A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, como base para refletir sobre a velhice ativa e a contradição com a realidade brasileira. Ele constrói um contraste entre a ficção e o contexto social atual e destaca a invisibilidade dos idosos.

Desse modo, um dos pontos mais fortes dessa produção entre as redações do Enem nota 1000 é a argumentação dupla, incluindo como primeiro ponto a negligência do Estado, analisada com base no conceito de “Necropolítica”, de Achille Mbembe, e como segundo ponto, a conduta das empresas, associada à lógica de exploração e à falta de valorização do trabalhador idoso

O candidato, portanto, ainda reforça a ideia de que a ausência de políticas públicas adequadas e ambientes corporativos inclusivos contribui para o agravamento do problema. Na conclusão, ele propõe uma intervenção completa: parceria entre Estado e setor privado para criação de políticas de saúde e atividade física para idosos. Sendo assim, esse modelo reforça um padrão comum nas redações do Enem nota 1000: proposta de solução detalhada, viável e articulada.

2. Sabrina Ayumi Alves (2024) – Herança africana no Brasil

“O livro “Nós matamos o cão tinhoso” de Luís Bernardo Honwana retrata a sociedade moçambicana durante a colonização portuguesa. Na obra literária, observa-se uma dinâmica social pautada pela inferiorização dos indivíduos negros, na qual o racismo está enraizado nas interações entre as pessoas, na qualidade de vida e na autoimagem de cada ser. Assim, ao inserir a imagem criada pelo livro no contexto brasileiro de ínfima valorização da herança africana, infere-se que o passado colonial persiste nas estruturas do Brasil, se manifestando a partir do apagamento sistemático da cultura afro-brasileira. Em razão disso, deve-se discutir o papel do Estado no setor escolar e cultural diante desse contexto de silenciamento. 

Em um primeiro momento, é necessário entender a relação entre a dinâmica social brasileira e a desvalorização da herança africana. Para fundamentar essa ideia, o filósofo Ailton Krenak afirma que, no Brasil, existem dois grupos — a humanidade, formada pela elite econômica, e a subumanidade, a qual tem seus direitos negados e é constituída principalmente pelas populações marginalizadas socialmente, como os povos originários e os negros. Por conseguinte, entende-se que o apagamento da cultura africana é uma extensão do panorama da desigualdade social brasileira, já que essa desvalorização sistemática silencia as vozes de populações que são violentadas e oprimidas há séculos, o que favorece a manutensão dessas pessoas no grupo da subumanidade. Dessa forma, o Estado deve desenvolver medidas que visem valorizar e apoiar artistas e escritores relacionados à herança africana no Brasil. 

Sob outra ótica, a compreensão acerca da importância da ancestralidade na formação da autoimagem e da noção de pertencimento de cada indivíduo é imperativa. Para isso, a filósofa brasileira Marilena Chaui defende a ideia de que, enquanto os animais são seres naturais, os humanos são culturais – ou seja, a cultura em que cada pessoa está inserida compõe a essência desse ser. A partir disso, compreende-se que o silenciamento da herança africana nega a uma grande parte do povo brasileiro a sua própria essência, o que constitui uma violência estrutural e resulta numa noção de não pertencimento generalizada e em uma autoimagem defasada. Frente a isso, o Estado deve agir em prol da promoção de manifestações culturais afro-brasileiras. 

Em suma, conclui-se que a desvalorização da cultura africana está diretamente relacionada a um processo sistemático de silenciamento de grupos oprimidos e resulta na falta de pertencimento de muitos indivíduos. Portanto, cabe ao Estado, por meio de uma parceria entre o Ministério da Economia (ME) e o Ministério da Educação e da Cultura (MEC), desenvolver manifestações culturais afro-brasileiras nas escolas, como, por exemplo, peças teatrais e festivais de dança, música e arte, assim como investir financeiramente na promoção de artistas e escritores que têm suas carreiras relacionadas à herança africana. Por fim, essas ações serão responsáveis por impedir o perpetuamento da desvalorização da cultura africana no Brasil.” 

Análise da redação

Em 2024, o tema da redação foi “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”. A participante Sabrina Ayumi recebeu nota máxima e  é um exemplo clássico de como repertório sociocultural bem aplicado eleva uma produção ao nível máximo.

Ela inicia com a obra “Nós Matamos o Cão Tinhoso”, de Luís Bernardo Honwana, para discutir o racismo estrutural e a herança colonial. A escolha da obra já demonstra maturidade argumentativa, característica marcante das redações do Enem nota 1000.

Entre os principais destaques estão:

  • Uso do conceito de Ailton Krenak sobre “humanidade e subumanidade”
  • Discussão sobre apagamento cultural afro-brasileiro
  • Relação entre cultura, identidade e pertencimento com base em Marilena Chaui

Na proposta de intervenção, ela sugere ações conjuntas entre MEC e Ministério da Economia para promoção da cultura afro-brasileira nas escolas e do apoio a artistas. Esse equilíbrio entre teoria, análise social e solução prática é uma das marcas mais fortes das redações do Enem nota 1000.

3. Matheus Almeida Barros (2023) – Trabalho de cuidado feminino

“Por meio do seu livro “Brasil, país do futuro” – publicado no último século – o escritor austríaco Stefan Zweig expressou a sua confiança de que a nação cresceria e se desenvolveria exponencialmente. Para além disso, nos dias atuais, a sociedade brasileira vivencia uma situação inversa, uma vez que a constante invisibilidade feminina relacionada ao trabalho de cuidado e seus impactos negativos na contemporaneidade não são características de um “país do futuro”. Desse modo, algumas negligências governamentais impulsionam a desvalorização trabalhista de cuidado desempenhado pela mulher brasileira e promovem o desenvolvimento de diversas desigualdades econômicas. Logo, tanto a inefetividade das leis direcionadas ao público feminino quanto a escassez de investimentos na educação capacitiva são suscitadores da problemática. 

Em primeiro plano, é imprescindível destacar a baixa eficiência das leis relacionadas ao trabalho da mulher como um fato que potencializa a invisibilidade do esforço doméstico e de cuidados desse grupo. Nesse sentido, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein defende que a legislação brasileira funciona somente no papel e, na prática, é ineficiente. A partir disso, tal tese pode ser comprovada por meio da má aplicação das leis trabalhistas femininas, uma vez que tais documentos não garantem, efetivamente, os direitos fundamentais da mulher, especialmente no âmbito do trabalho, e geram uma dependência dessa parcela ao cuidado doméstico, que é amplamente desvalorizado e, muitas vezes, não remunerado. Logo, tal insuficiência do sistema legislativo promove uma exploração exagerada da população feminina no país. 

Além disso, vale ressaltar, ainda, a falta de verbas destinadas à educação como um fator que agrava e desvaloriza o trabalho de cuidado exercido pela mulher brasileira. Nesse sentido, o filósofo esloveno Slavoj Zizek afirma que os políticos liberais modernos priorizam interesses mercadológicos e menosprezam atitudes que beneficiem a coletividade. Dessa maneira, verifica-se uma imprudência estatal que, por sua vez, despreza a importância da educação ao não investir na capacitação feminina, o que impede a entrada desse grupo no mercado de trabalho e obriga a mulher a realizar os desvalorizados “trabalhos de cuidado”. Com isso, atitudes que visem ampliar a qualidade do sistema educacional brasileiro mostram-se amplamente necessárias. 

Portanto, vistos os fatores que impactam negativamente na valorização do trabalho de cuidado feminino, medidas são necessárias para combatê-los. Cabe ao governo federal a realização de fiscalizações legislativas e, por meio de inspeções e vistorias em residências de risco, verificar se as leis trabalhistas femininas estão sendo devidamente aplicadas, a fim de garantir a não exploração da mulher doméstica. Ademais, o Ministério da Educação deve, através do FUNDEB – o Fundo Nacional de Educação Básica destinar investimentos às escolas, visando promover uma capacitação geral e inserir as mulheres em um mercado de trabalho justo. Somente assim, o público feminino conquistará a devida visibilidade no âmbito do trabalho.” 

Análise da redação

Por último, mas não menos importante, em 2023, redação de Matheus Almeida Barros também foi nota máxima. O Enem propôs o tema “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”. 

Matheus iniciou com referência ao livro “Brasil, país do futuro”, de Stefan Zweig, para contrastar expectativas históricas com a realidade atual de desigualdade de gênero.

O texto se destaca por dois argumentos centrais:

  • Ineficiência das leis trabalhistas femininas, apoiado em Gilberto Dimenstein
  • Falta de investimento em educação, analisado a partir de Slavoj Žižek

Essa combinação mostra um padrão típico das redações do Enem nota 1000: diálogo entre diferentes áreas do conhecimento para sustentar a tese.

O candidato, por sua vez, argumenta que a invisibilidade do trabalho doméstico e de cuidado mantém mulheres em situação de desvalorização social e econômica.

Na proposta de intervenção, ele sugere fiscalização do cumprimento das leis trabalhistas, investimentos educacionais via FUNDEB e ações para inserção das mulheres no mercado de trabalho

Sendo assim, ao apresentar a solução, ele detalha de forma estruturada, outro critério essencial das redações do Enem nota 1000.

O que todas essas redações têm em comum?

Ao analisar essas três produções, é possível identificar padrões claros que se repetem nas redações do Enem nota 1000:

  • Repertório sociocultural produtivo: os candidatos utilizam livros, filósofos e teorias sociais de forma funcional, não decorativa.
  • Argumentação em dois eixos: cada redação apresenta dois grandes problemas ou causas, aprofundando a análise.
  • Coerência e progressão textual: as ideias são conectadas de forma lógica, sem saltos argumentativos.
  • Proposta de intervenção completa: todas apresentam solução com agente, ação, meio, finalidade e detalhamento.

Esses elementos, portanto, são fundamentais para quem deseja alcançar o nível máximo e entender como funcionam as redações do Enem nota 1000.

Como aprender com essas redações?

Estudar redações do Enem nota 1000 é, portanto, essencial para se familiarizar e compreender estruturas que podem ser adaptadas a diferentes temas. Sendo assim, entre as estratégias fundamentais estão a prática de repertórios por área temática (social, política, cultura, educação) e treino da construção de tese clara desde a introdução

Ademais, quanto mais você analisa redações com nota máxima, mais natural se torna aplicar esses elementos na sua escrita.

Estude com a Corrija-me e prepare-se para entrar para o lado dos aprovados!

Estude com a Corrija-me e prepare-se para entrar para o lado dos aprovados!

Por fim, as redações do Enem nota 1000 mostram que a excelência no exame depende de estratégia, repertório e estrutura bem definida. E se você quer alcançar esse nível, é fundamental contar com orientação estratégica e correção qualificada. 

Sendo assim, a plataforma Corrija-me, você pode escrever, enviar suas redações e receber análises realizadas por profissionais especializados com base nos critérios do Enem, identificando pontos fortes e, principalmente, os aspectos que precisam ser aprimorados. 

Além disso, a Corrija-me ajuda a desenvolver repertório, aprimorar argumentação e estruturar melhor a proposta de intervenção, elementos fundamentais e que se repetem nas redações com nota máxima do Enem. 

Não espere mais. Seja nosso(a) aluno(a) e prepare-se conosco agora mesmo!

Leia mais: Análise de redações nota 1000 do Enem 2025

Correção de redação

COMENTÁRIOS:

Nenhum comentário foi feito, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *