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O Inep divulgou os espelhos das redações nota 1000 do Enem 2025. E eles revelam muito além do domínio da norma culta: mostram repertório sociocultural consistente, leitura crítica e propostas de intervenção bem estruturadas.
Ao analisar os textos que alcançaram a pontuação máxima no exame cujo tema foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, é possível identificar padrões que podem ser replicados por você na sua preparação.
Acompanhe o artigo e confira nossa análise de três exemplos reais de redações nota 1000 do Enem 2025, suas estratégias argumentativas, o uso do repertório sociocultural e as propostas de intervenção que encantaram a banca avaliadora:
O que o tema exigia do candidato?
Em primeiro lugar, é preciso considerar que o Inep propôs um debate necessário. O Brasil vive uma transição demográfica, caminhando para ser um país de idosos, mas a estrutura social e a mentalidade coletiva parecem ter parado no tempo. A proposta exigia que o participante:
- Compreendesse o fenômeno do envelhecimento sob uma perspectiva social;
- Identificasse problemas como etarismo, negligência estatal e invisibilidade social;
- Apresentasse soluções viáveis e bem estruturadas.
As redações nota 1000 do Enem 2025, por sua vez, souberam explorar essa dicotomia entre o aumento da expectativa de vida e a persistência do etarismo.
3 exemplos de redações nota 1000 do Enem 2025
Selecionamos 3 exemplos de redações nota 1000 do Enem 2025 para analisar. Veja na íntegra:
Carlos Eduardo Gomes dos Santos
O sociólogo e professor Boaventura de Sousa Santos afirma que a sociedade vive uma “sociologia das ausências”, uma vez que os saberes e o modo de vida de determinados grupos tendem a ser invisibilizados por não se encaixarem na lógica da racionalidade ocidental. Nesse sentido, ao analisar o hodierno contexto brasileiro, é perceptível que a população idosa é marcada pela sociologia defendida pelo professor, já que o envelhecimento desses indivíduos testemunha um descaso social de desassistência e preconceito, marcado por perspectivas que dificultam a qualidade de vida e a inclusão social. Por isso, urge uma discussão sobre essa problemática, a qual é sustentada não só pela negligência estatal, mas também pela omissão midiática.
Diante desse cenário, faz-se mister mencionar a ausência de políticas públicas de saúde para a população idosa como um dos fatores dessa estigmatização. Nessa ideia, verifica-se que esse panorama é facilmente encaixado no conceito de “necropolítica”, descrito pelo filósofo Achille Mbembe para explicar o poder do Estado de decidir quem pode viver e quem deve morrer. Partindo dessa lógica, o “deixar morrer” é visível quando se observa a realidade de milhares de idosos na comunidade brasileira, haja vista que a omissão dos órgãos estatais afeta a qualidade de vida, evidenciada pelo não destino de verbas que garantam o desenvolvimento de atividades físicas e interativas nos Centros de Referência Especializado e de Assistência Social (CREAS), além da ausência de campanhas preventivas, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), para doenças que acometem essa idade, como diabetes e hipertensão. Consequentemente, perpetua-se uma sociedade que marginaliza o envelhecimento e que sofre com os impactos causados por essa desassistência: o aumento de doenças e, com isso, o aumento de gastos públicos. Logo, fica clara a necessidade de reformular essa postura do Estado urgentemente.
Outrossim, é válido destacar, também, que a inexistência de abordagens midiáticas sobre a importância do envelhecimento configura-se como uma das causas desse imbróglio. Segundo o filósofo estadunidense Noam Chomsky, em sua obra “A fabricação do consentimento”, afirma que a maneira mais inteligente de manter as pessoas passivas é limitar o seu espectro de opinião e criticidade. Nessa acepção, conclui-se que esse comportamento intencional legitimado pelo filósofo é visualizado na agenda dos aparelhos midiáticos que envolve o envelhecimento devido à mentalidade etarista que se expressa, principalmente, pela não abordagem da importância da inclusão profissional e da representatividade em espaços importantes — a exemplo de cargos políticos e vagas em universidades — desses indivíduos. Por conseguinte, cria-se uma malha social que distancia a população idosa do convívio social, relegando-os à solidão e à passividade social. Assim, enquanto persistir essa exclusão midiática, jamais será possível atenuar esse óbice.
Portanto, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde — órgão responsável pelas diretrizes nacionais do sistema de saúde — em parceria com os CREAS, desenvolver atividades físicas de grupo e movimentos interativos, como dança e pintura, que despertem a população idosa para o cuidado físico, bem como campanhas de prevenção nas UBS às doenças da terceira idade, com a finalidade de garantir uma qualidade de vida saudável. Além disso, os veículos midiáticos devem retratar a personalidade do envelhecimento em figuras e espaços de poder para combater o idadismo. A partir dessas execuções, as perspectivas do envelhecimento no Brasil serão outras, agora não mais a da “sociologia das ausências”.
Laryssa Melo
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito ao respeito e à dignidade humana, incluindo os idosos. Entretanto, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, as quais são, em sua maioria, negativas, podem contrariar o texto constitucional. Isso ocorre devido à escassez de fiscalização e ao preconceito e deve, pois, ser alterada urgentemente.
De início, vale destacar que a escassez de fiscalização é uma grave falha estatal. Nesse sentido, cabe referenciar a Lei Orçamentária Anual (LOA), a qual indica quanto deve ser investido em cada setor, priorizando algumas áreas e subfinanciando outras. A exemplo destas, cabe citar o ramo de fiscalização, com destaque para o cumprimento de leis que priorizam o idoso, o qual recebe somente cerca de um por cento de verbas para seu funcionamento, o que compromete a qualidade de seus serviços. Essa precarização pode ser vista na falta de profissionais especializados nesse setor e no não envio constante de fiscalizações para locais necessitados da atividade, por exemplo. Muitos lugares, como “shoppings” e mercados possuem, por lei, vagas exclusivas para pessoas com mais de sessenta anos e fias prioritárias. No entanto, muitas vezes, tais normas são desrespeitadas tanto por clientes, quanto por funcionários, os quais, sem a devida vigilância, continuam a infringir leis que asseguram os direitos dos mais velhos, demonstrando uma perspectiva negativa acerca do envelhecimento populacional. Urge, então, uma mudança nesse cenário adverso.
Ademais, o preconceito contra anciãos, denominado etarismo, agrava o problema. Nesse contexto, cabe fazer menção ao pensamento de Albert Einstein, segundo o qual é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Tal premissa se verifica na sociedade brasileira na medida em que grande parte da população possui uma visão inadequada acerca dos idosos, percebendo-os como incapazes e fracos para realizar qualquer atividade e compromisso, o que acarreta a não aceitação, muitas vezes, de pessoas com idade mais avançada no mercado de trabalho e a apropriação de renda do idoso por parte dos familiares, por exemplo. Assim, há o predomínio de uma perspectiva errônea e prejudicial quanto ao envelhecimento da sociedade. Logo, é necessária a reversão dessa conjuntura brasileira.
Portanto, cabe ao governo do Brasil, responsável pelo bem-estar social, promover uma melhoria nos serviços fiscalizatórios por meio de maiores investimentos nesse setor, a fim de que as leis e as normas que garantem os direitos dos maiores de sessenta anos sejam devidamente cumpridas. Além disso, cabe ao Estado realizar campanhas sobre as perspectivas positivas do envelhecimento, com o fito de que as ideias equivocadas sobre os idosos sejam desfeitas rapidamente.
Caio Braga
Em “O Karaíba”, o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria. Nesse contexto, é nítido que a perspectiva dos personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira enxergou o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.
Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário — uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta anos. Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas. Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.
Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social. Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, “Vitória”, em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe suas denúncias contra a violência e o tráfico onde vive. Sob essa óptica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.
Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas de capacitação e autonomia para idosos — como o “projeto envelhecer” do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital — atue na formação dessas pessoas para que resgatem sua independência bem.
Análise de redações nota 1000 do Enem 2025
Ao longo de cada texto, é possível perceber argumentos consistentes e repertório sociocultural amplo. Veja mais:
Análise – Redação Carlos Eduardo Gomes dos Santos
Carlos Eduardo utilizou uma estrutura clássica e poderosa. Ele iniciou sua argumentação com o conceito de “Sociologia das Ausências” de Boaventura de Sousa Santos, aplicando-o perfeitamente à forma como os idosos são “invisibilizados” por não seguirem a lógica de produtividade frenética do capitalismo atual.
Entre os pontos fortes da análise, destaca-se o repertório de peso, visto que além de Boaventura, o autor trouxe a “Necropolítica” de Achille Mbembe para criticar a omissão do Estado. Além disso, ele argumenta que o “deixar morrer” se manifesta na falta de verbas para o CREAS e na ausência de campanhas preventivas nas UBS.
Além disso, o autor trouxe conexão midiática Citou Noam Chomsky para explicar como a mídia “fabrica o consentimento” ao ignorar a representatividade idosa em espaços de poder, relegando-os à solidão.
Análise – Redação Laryssa Melo
Laryssa optou por uma abordagem pautada no Direito. Ao citar a Constituição Federal de 1988, ela estabelece de imediato o contraste entre a teoria (dignidade humana) e a prática (perspectivas negativas sobre o envelhecimento).
Ela utilizou a estratégia de análise técnica ao mencionar a Lei Orçamentária Anual (LOA) para provar que o subfinanciamento de órgãos de fiscalização impede que leis simples, como as vagas exclusivas em shoppings, sejam respeitadas.
Além disso, a frase “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” de Einstein, serviu para ilustrar a dificuldade de combater o etarismo arraigado, que vê o idoso como incapaz para o mercado de trabalho.
Análise – Redação Caio Braga
Caio trouxe um diferencial riquíssimo: a literatura indígena. Ao citar “O Karaíba”, de Daniel Munduruku, ele contrastou o respeito aos mais velhos nas culturas tradicionais com a visão utilitarista da sociedade “moderna”.
Além disso, sua redação se destacou pela profundidade histórica. O autor resgatou a Lei do Sexagenário, desconstruindo a ideia de que ela foi uma conquista. Ele mostrou que, historicamente, envelhecer no Brasil foi um “privilégio de elites” e não um direito garantido.
Caio também citou o filme “Vitória” (2025), estrelado por Fernanda Montenegro, para mostrar uma perspectiva de protagonismo e resistência do idoso, fugindo do estereótipo da fragilidade.
O que aprendemos com as redações nota 1000 do Enem 2025?
Ao observar esses exemplos, notamos padrões que você deve replicar se deseja alcançar o topo da pontuação:
- Uso de repertório amplo: não basta citar um filósofo; é preciso “amarrar” a citação ao argumento. Note, por exemplo, como os autores usaram desde clássicos (Einstein) até contemporâneos (Munduruku e Mbembe).
- Problematização em duas camadas: geralmente, os autores dividem as causas em duas frentes: a Negligência Governamental (falta de verba, leis não cumpridas) e a Mentalidade Social/Midiática (preconceito, falta de representatividade).
- Propostas de intervenção detalhadas: as redações nota 1000 do Enem 2025 não economizam em detalhes na conclusão. Elas respondem, portanto: quem vai fazer? O que vai fazer? Como vai fazer? Para que vai fazer?
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Por fim, podemos concluir que a análise dessas redações nota 1000 do Enem 2025 mostra que, além de escrever bem, o segredo é pensar de forma interdisciplinar. O envelhecimento não é apenas um processo biológico, é um fenômeno político, social e econômico.
Os candidatos que alcançaram a nota máxima souberam interpretar o tema com profundidade, utilizar repertórios de forma estratégica, estruturar bem suas ideias e propor soluções viáveis.
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