Conteúdo produzido por Corrija-me - Correção de Redação Em Repertório
As enchentes em Minas Gerais que devastaram a Zona da Mata em fevereiro de 2026 são um dos eventos mais impactantes dos últimos anos no Brasil. E têm tudo para aparecer como tema ou pode ser usado como repertório na redação do Enem e nos principais vestibulares. Com mais de 72 mortos confirmados, mais de 5.500 desalojados e cidades como Juiz de Fora e Ubá em estado de calamidade pública, a tragédia mineira expõe, de forma brutal, as contradições entre crise climática, desigualdade social e omissão do poder público.
Saber aproveitar esse tipo de evento na sua redação faz toda a diferença na hora de construir uma argumentação sólida. Não basta citar o acontecimento: você precisa conectá-lo a ideias mais amplas, mobilizar repertório sociocultural de qualidade e propor intervenções que vão além do óbvio. E, para garantir que o seu texto está no caminho certo, nada substitui uma correção de redação feita por professores especializados, que identificam exatamente onde você está perdendo pontos.

1. O que aconteceu nas enchentes em Minas Gerais, em 2026
Na noite do dia 23 de fevereiro de 2026, chuvas extremas atingiram a Zona da Mata mineira. A combinação de uma frente fria com uma área de baixa pressão gerou precipitações acima de 100 milímetros em menos de 12 horas em alguns pontos de Juiz de Fora. Para se ter ideia da dimensão: o mês de fevereiro terminou com volume de chuva mais de quatro vezes acima da média histórica, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), tornando-se o mês mais chuvoso já registrado na cidade.
O resultado foi catastrófico. Rios transbordaram, encostas cederam, casas desabaram. Além das 72 mortes confirmadas, centenas de famílias perderam tudo. A Defesa Civil de Minas Gerais registrou que o período chuvoso 2025-2026 se tornou o mais letal dos últimos 20 anos no estado. Só que os dados revelam algo ainda mais perturbador: conforme o Portal da Transparência de Minas Gerais, os investimentos estaduais em prevenção de desastres caíram de R$ 134 milhões em 2023 para R$ 5,8 milhões em 2025 (uma redução de 95%).
2. Por que as enchentes em Minas Gerais são um tema poderoso para a redação do Enem
O Enem escolhe temas que permitem discutir problemas humanos com profundidade, propor intervenções concretas e mobilizar repertório interdisciplinar. A tragédia na Zona da Mata preenche todos esses critérios. Ela não é só uma notícia: é um ponto de convergência entre mudanças climáticas, desigualdade social, falhas de planejamento urbano e responsabilidade do Estado.
Nos últimos anos, bancas como Fuvest, Unicamp e a própria PUC-Campinas já cobraram temas diretamente ligados à crise climática e seus impactos nas populações vulneráveis. A tragédia de Minas Gerais oferece um exemplo recente, brasileiro e geograficamente específico para enriquecer qualquer argumento sobre esses assuntos. Quem souber usar esse repertório vai sair na frente.
Os principais eixos temáticos que o evento abre
Há pelo menos três grandes eixos que você pode explorar a partir dessa tragédia (enchentes em Minas Gerais na redação do Enem).
- O primeiro envolve a crise climática e os eventos extremos. As enchentes em Minas Gerais são resultado direto de precipitações recordes amplificadas pelo aquecimento global, e o IPCC alerta que esse tipo de evento tende a se intensificar nas próximas décadas.
- O segundo eixo é a desigualdade social e a vulnerabilidade territorial, dado que as pessoas que vivem em encostas e áreas de risco são, em geral, as mais pobres, e as que menos recebem investimento em infraestrutura preventiva.
- O terceiro, talvez o mais explosivo, é a omissão do poder público. Quando se sabe que 25% da população de Juiz de Fora vive em área de risco e que a cidade utilizou apenas 16,5% da verba federal destinada a obras de contenção de encostas, fica difícil chamar a tragédia só de “desastre natural”.
3. Como usar as enchentes como repertório sociocultural na redação
Repertório sociocultural não é só citar um filósofo famoso. Também vale citar dados, eventos históricos, leis, declarações de organismos internacionais e acontecimentos recentes de relevância nacional. As enchentes em Minas Gerais se encaixam perfeitamente nessa última categoria.
A chave está em não usar o evento como fim em si mesmo, mas como evidência de um problema maior. Veja como isso funciona na prática no desenvolvimento:
“A recorrência de tragédias climáticas no Brasil evidencia a fragilidade das políticas públicas de prevenção. Em fevereiro de 2026, as enchentes na Zona da Mata mineira ceifaram mais de 70 vidas em Juiz de Fora e Ubá, cidades onde, conforme dados da Defesa Civil estadual, o período chuvoso se tornou o mais letal em duas décadas. O dado ganha contorno ainda mais grave diante da redução de 95% nos gastos com prevenção de desastres registrada pelo governo estadual entre 2023 e 2025, segundo o Portal da Transparência. Isso mostra que o problema não é apenas climático: é, antes de tudo, político.”
Perceba que o trecho usa o evento como ponto de partida, conecta dados verificáveis e encaminha para uma tese clara. Isso é o que diferencia um texto que “só cita notícia” de um texto que raciocina com profundidade, o tipo que merece nota alta na Competência 3 do Enem.
4. Repertório adicional para enriquecer sua argumentação
Além do exemplo concreto das enchentes, você vai precisar de repertório mais amplo para sustentar seus argumentos. Algumas referências que encaixam bem nesse contexto:
O Artigo 225 da Constituição Federal garante que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Citar esse artigo e mostrar que ele não está sendo respeitado na prática é uma estratégia argumentativa de alto impacto.
Já o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU aponta que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos nas próximas décadas, especialmente em países tropicais como o Brasil. Isso dá base científica sólida para qualquer argumentação sobre prevenção.
A COP30, que acontece em Belém, em novembro de 2025, coloca o Brasil no centro do debate climático global. É um dado de contexto poderoso: o país que sediou a maior conferência climática do mundo convive com tragédias que revelam um modelo de cidade despreparada para o futuro que ela mesma está construindo.
Por fim, o conceito de justiça climática, defendido por organizações como o Greenpeace, aponta que as mudanças climáticas não afetam todos igualmente: as populações mais pobres, que menos contribuíram para o problema, são as que mais sofrem suas consequências. Essa ideia conecta diretamente a crise ambiental à desigualdade social.
Exemplo de uso de repertório ampliado:
“Não por acaso, o filósofo e sociólogo brasileiro Ulrich Beck, ao desenvolver o conceito de ‘sociedade de risco’, alertou que os danos da modernização industrial recaem de forma desproporcional sobre os mais vulneráveis. As imagens de Juiz de Fora, em fevereiro de 2026, confirmariam sua tese: foram as encostas ocupadas pelas populações de baixa renda as primeiras a ceder diante das chuvas.”
5. Como construir a proposta de intervenção para esse tema
A Competência 5 do Enem exige uma proposta de intervenção detalhada, que respeite os direitos humanos e apresente cinco elementos. São eles: agente, ação, modo, finalidade e detalhamento. Para temas ligados a desastres climáticos, muitos candidatos caem na armadilha de propor intervenções genéricas, como “conscientizar a população”. Isso não basta. Quanto mais específico você for, melhor.
Exemplo de proposta de intervenção bem estruturada:
“Cabe ao Ministério das Cidades, em parceria com as prefeituras, implementar programas de mapeamento e reurbanização de áreas de risco (com realocação de famílias vulneráveis e construção de habitação digna em locais seguros), por meio de ampliação de verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a fim de reduzir a exposição das populações mais pobres às tragédias climáticas e garantir o direito constitucional à moradia e ao meio ambiente equilibrado.”
Repare que essa proposta tem agente (Ministério das Cidades e prefeituras), ação (mapeamento e reurbanização de áreas de risco), modo (ampliação das verbas do PAC), finalidade (reduzir vulnerabilidade climática) e detalhamento (realocação e habitação digna). Tudo encaixado em uma única frase bem articulada.
6. Temas de redação em que as enchentes podem ser usadas como repertório
A tragédia de Minas Gerais não serve só quando a proposta é diretamente sobre enchentes. Esse evento pode entrar como repertório em uma série de temas diferentes. Quando o tema for sobre desigualdade social, você pode mostrar como as populações mais pobres são as que vivem nas áreas de risco.
Quando o assunto for políticas públicas e responsabilidade do Estado, o corte de gastos em prevenção de desastres é um exemplo contundente de omissão. Se o tema envolver planejamento urbano ou saneamento, a ocupação irregular de encostas e a drenagem precária de cidades como Juiz de Fora oferecem evidências concretas.
Até em temas sobre saúde pública e direitos humanos esse repertório pode aparecer.
A habilidade de transpor um mesmo evento para contextos temáticos diferentes é o que separa um candidato mediano de um candidato que domina a escrita argumentativa. E isso se aprende com treino, com leitura e, principalmente, com correção de redação consistente.
Para aprofundar seus estudos sobre como usar eventos recentes na redação, vale a pena conferir também os conteúdos do blog da Corrija-me sobre atualidades que podem ser tema do Enem e sobre como construir repertório sociocultural de qualidade para diferentes eixos temáticos. Se quiser entender melhor como a Competência 3 funciona na avaliação do Enem, o blog da Corrija-me tem materiais específicos que explicam com exemplos práticos o que os corretores esperam ver no texto.
Assista: como escrever sobre temas de atualidade na redação do Enem
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